terça-feira, janeiro 20, 2009

A Máquina do Tempo (4)

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NO DIA 19 de Abril de 2006, quarta-feira, este post do blog SABER A VERDADE, que aparece na lista de links aqui do lado esquerdo, dizia o seguinte:

O guia final

Cada vez mais me fazem perguntas sobre a recente escalada do ouro e da prata e de como se poderá ganhar dinheiro com isso. Também cada vez mais vejo mais gente que não costuma acompanhar o assunto a interessar-se criando mesmo uma moda de investimento nas commodities pois ninguém quer ficar de fora do comboio do lucro fácil. Até há menos de 2 meses, o canal da TVCabo Bloomberg cotava o ouro duas vezes ao dia e a prata apenas uma vez por volta das 5 da manhã. Agora tem rubricas especiais sobre os metais preciosos em que divagam baboseiras sobre o recente boom do ouro. Para tentar ajudar quem está indeciso ou receoso deste investimento vou agora dissecá-lo de modo a esclarecer alguns aspectos menos conhecidos por detrás desta loucura de preços.
Em primeiro lugar não vão na conversa de economistas ou analistas de mercado que vos falam dos altos e baixos do mercado e de como agora estamos num baixo de modo que é bom comprar. É falso. Neste momento o ouro não está barato, pelo menos de um certo ponto de vista. O que se passa é algo muito diferente e quase imperceptível a quem tem os tiques da analise de mercados com a treta dos ciclos, rácios e lucros garantidos.
Tenho a certeza de que depois de lerem este texto a coisa ficará muito mais clara e perceberão que as ferramentas económicas usadas hoje em dia não vos vão servir de nada excepto para investir em ouro em tempo real, ou seja com as cotações diárias. Mas isso não é investir em commodities, isso é especular sem qualquer garantia associada pois apenas se está a comprar papel. O preço do ouro e da prata nada tem a ver com a economia dos analistas que todos os dias fingem aconselhar as pessoas nos seus investimentos. Em primeiro lugar vemos que o ouro, alem de ser uma commodity, uma matéria-prima, é também uma moeda, com cotação real e na qual se pode trocar os nossos euros, dólares ou dinares. Podemos trocar 100 euros por ouro à cotação do momento e chegar aos EUA e trocar esse ouro em dólares. Logo, pelo preço do ouro também se mede a fraqueza ou a força de uma moeda nacional. E a partir daqui temos a primeira grande constatação do que venho aqui dizendo ao longo destes anos de blog. Que o colapso do dólar está aí, basta ver que o dólar tem perdido muito para o euro mas muitíssimo mais para o ouro, com tendência a perder muito mais. E isto porquê? Porque a cotação de uma moeda é relativa à sua procura no mercado, logo quanto mais procurada é uma moeda mais valiosa ela se torna em relação a outras alternativas monetárias. Como a politica de credito pelo mundo ocidentalizado fora está a ser manipulado de modo a inundar o mercado de dinheiro e por conseguinte de dividas, o dólar e o euro estão a ser impressos a velocidades recorde e a procura começa a não ser assim tão grande para absorver tanta moeda na rua. Por outras palavras, os juros estão em baixo logo a impressão de notas está em alta, logo existe dinheiro para dar e vender. Com o ouro e a prata o mesmo já não se passa. A procura é relativamente estável e a oferta também, pelo que o seu preço não tem variado muito desde há muitos milénios a esta parte. No tempo de Jesus podia-se comprar mais ou menos as mesmas coisas que hoje em dia com o mesmo peso de ouro. Logo, e como a oferta de ouro é bastante rígida pois cada vez é mais caro e difícil extrair o metal dos confins da Terra, esta moeda mantém-se sempre valiosa relativamente aos dólares e euros que podem ser impressos apenas com o toque de um botão. De facto, e de certeza para surpresa de alguns, existem apenas 140.000 toneladas de ouro à superfície, ou seja, já extraídas. Para dar uma ideia, todo o ouro do mundo extraído desde sempre encheria apenas um cubo com arestas de 19 metros, mais ou menos um campo de ténis com 20 metros de altura. E é tudo. Dividido por todas as pessoas daria cerca de 23 gramas a cada um, a preços de hoje, 350 euros. O seu valor total mundial é de aproximadamente 1,9 triliões de dólares. A divida publica externa americana é de 8 triliões de dólares. Por isso não liguem a quem vos diz que está parcialmente coberta por ouro. Só cerca de 20% é que é detido por bancos centrais, sendo o resto joalharia, moedas e barras de propriedade particular. Cá está, quem faz o preço do ouro está a faze-lo na sombra, são as transacções de barras de ouro em Londres e Zurique que fazem o preço de mercado. E estas transacções só são feitas por poucos players que têm acesso ao mercado. O mínimo aceite nessas transacções são barras de 12,4 kilos mas o mínimo aceitável para atrair as atenções de alguém são cerca de 500.000 dólares. E mesmo que queira participar o acesso é-lhe vedado, sendo apenas possível entrar no mercado através de cinco casas para isso designadas. São estas casas que definem o mercado. Esqueça quem lhe diz que o preço do ouro é ditado pelas leis do mercado da oferta e da procura mundial num sistema tipo bolsa. É falso. Esse sistema existe apenas para o ouro em certificados, o ouro real não obedece a este tipo de transacção. Para os nossos simpáticos analistas de mercados é difícil perceber como se chega ao valor final do ouro diariamente mas vou tentar explicar. Em Londres estas casas autorizadas recebem as potenciais ordens de compra e de venda e só depois as tentam negociar com as outras casas. Assim resulta um sistema isolado, imune ao crash económico, às perturbações conjunturais que afectam o zé-povinho quando compra e vende acções. O preço do ouro é então afixado duas vezes ao dia, uma de manhã outra de tarde. O analista que vos aconselhar a comprar no mercado em tempo real não pode faze-lo com base em ferramentas económicas pois quem decide o preço são apenas 5 grandes casas e quem está por detrás delas. Depois há o mercado de certificados de ouro e prata, o Forex (mercado cambial), onde se aposta no preço do ouro mas que anda sempre colado ao preço do ouro físico combinado. Aqui se percebe que o ouro é a linguagem do mundo obscuro, da alta finança mundial, daqueles que efectivamente controlam o mundo por detrás das luzes da finança especulativa. Daí ser visto como um ultimo instrumento de conservação de riqueza. Em tempos de prosperidade ninguém investe em ouro pois a ideia é aumentar a riqueza. Em tempos de incerteza o ouro sempre foi amigo de quem o escolheu. E a minha opinião é de que os senhores da finança obscura estão a desviar a tradução da sua riqueza para unidades de
ouro e prata. Tendo já dominado a sistema produtivo mundial é altura de o deixar cair de modo a poder voltar a comprar por meros tostões a vida das pessoas. Já aconteceu antes e está prestes acontecer outra vez. E vamos já ver como vai ser isto tudo possível com uma pequena quantidade destes vis metais.
E chegamos agora ao principal ponto do comportamento do ouro. Existe uma organização chamada GATA, o Gold Anti Trust Action Comitee que nos avisa desde há anos para o completo logro que é o mercado do ouro mundial. Este comité tem como membros altos ex-responsáveis de bancos centrais e privados. Eles acusam os bancos centrais de estarem a fazer com o ouro o mesmo que fizeram com as moedas nacionais, ou seja, emprestar muito mais ouro do que o que realmente têm. Desde os anos 70, mas sobretudo quando o arqui-inimigo da boa saúde económica global, o senhor Alan Greenspan tomou conta do Fed, que se tem assistido a uma luta desenfreada contra o ouro. Este senhor era um dos principais defensores de uma moeda suportada por ouro nos cofres, embora se tenha tornado um acérrimo inimigo desta mesma ideia assim que entrou para o Fed. Desde então fez inúmeras declarações em que fala do ouro como um investimento em desuso e expandiu o dólar até níveis nunca vistos com esta bolha de credito que a América está a tentar engolir agora. Isto fez o ouro descer para níveis incrivelmente baixos. Fez também os bancos, baseados na relativa estabilidade do seu preço, oferecer o ouro dos seus cofres em leasing ou mesmo vendido. Assim, os clientes que depositavam o seu ouro nos cofres dos bancos não sabiam que o mesmo passava a ser um activo do banco e logo podia ser jogado no mercado internacional. E assim, mantendo o seu preço baixo poderia sempre voltar a comprar o ouro em leasing à medida que os depositantes o reclamassem. O problema é que quando o seu preço sobe poderá não haver liquidez para voltar a comprar o ouro vendido ou emprestado e será impossível devolve-lo aos clientes legítimos donos. Isto criará uma crise financeira mundial e é por isso que os bancos declararam uma guerra acérrima ao preço do ouro de modo a evitar tal cenário. Quando os bancos forem confrontados com os pedidos de resgate de ouro que não existe o grande publico tomará conta da conta desta conspiração. Se todo o ouro que existe em certificados fosse resgatado como a lei permite e garante, toda o ouro existente à face da Terra bem como a produção total dos próximos 25 anos não chegaria para cobrir os pedidos. Daí a conveniência do investimento em ouro físico cujo preço vai disparar para a Lua. Existe “provas” mais que consistentes de relatos de grandes responsáveis no assunto, especialmente do governador do Banco de Inglaterra, que afirma categoricamente estarem os bancos em guerra aberta contra o preço do ouro devido a estas razoes. Há também inúmeros relatos sombrios que nos afirmam que as reservas em ouro do Fed, do Credit Suisse, do BCE, do Banco de Inglaterra e do Banco Nacional Suíço já praticamente não existem, facto totalmente desconhecido do público. Esta alhada em que os bancos se meteram já tinha sido feita com as próprias reservas monetárias, daí não ser nada difícil acreditar que também será verdade para o ouro. O problema é que com a moeda basta baixar os juros e imprimir mais notas, com o ouro não dá para extrair mais do que o que existe e uma nova mina demora cerca de 10 anos a entrar em funcionamento e já não se descobrem grandes novos filões de ouro há mais de 30 anos. Quando esta história for uma realidade o preço do ouro irá atingir valores inimagináveis. Para terminar quero apenas dizer que o ouro sempre foi um guardador de riqueza. Quando em 1929 o crédito bancário estava tão facilitado como hoje em dia, o senhor médio da classe média julgava saber tudo e ia na maré investindo numa bolsa que não parava de subir. Sem razão aparente, não se produzia nada a mais, não havia nenhum avanço tecnológico, nada, simplesmente as acções subiam sem parar, muito ao jeito do que se passou no final dos anos 90 com as casas, em que as pessoas achavam que nunca uma casa podia perder valor. E os peritos em economia dos bancos aconselhavam isso mesmo, a pedir credito para investir na bolsa. O mercado caiu 10% na manha de segunda-feira em 1929 e todos entraram em pânico. Uns aproveitaram para comprar em baixa e o mercado voltou a subir 8%. Quem não conseguiu vender tudo, depois de ver esta nova subida decidiu não vender ainda. Mas como diz um ditado do mundo financeiro, mesmo um gato morto quando atirado do 10º andar ainda salta umas quantas vezes. Nunca mais o mercado recuperou desse máximo e os créditos precisavam de ser pagos. Alguns bancos ficaram com tudo. O mesmo se vai passar agora mas substituindo as acções por casas. Toda a gente penhora a sua casa de modo a conseguir ir buscar algum ao banco. A produção não chega nem para metade dos novos encargos pois este dinheiro tem ido maioritariamente para o consumo e não para o investimento. Mais uma vez os bancos vão ficar com tudo. A moeda colapsa pois ninguém quer pedaços de papel sem valor e é criada uma nova moeda, em principio mundial baseada no ouro. No ouro detido por aqueles poucos senhores que o estão a comprar agora em quantidades industriais. E essa gente é um clube muito restrito que se esconde no anonimato do sistema de transacções de ouro que é diferente de tudo o resto. Quando os teóricos da conspiração falavam disto há cerca de 6 anos atrás eram lunáticos. Hoje ainda são considerados lunáticos mas pelo menos têm os bolsos mais cheios. Tudo bateu certo. Sempre falámos de preços astronómicos, que podem chegar aos 40.000€ por onça, quando hoje ultrapassou pela primeira vez os 500 euros. Os pseudo analistas achavam impossível o ouro ultrapassar os 400 dólares. Tenho estudos impressos de grandes consultoras a dizer isso mesmo. Depois começaram a falar na mítica barreira dos 500 dólares. Em Novembro já falavam nos 600 dólares como máximo. Hoje já só falam dos 850. A S&P já anunciou um price target de 2000 dólares baseada na teoria da conspiração, documento delicioso que tenho a honra de possuir. Tenham calma que com o petróleo a subir sem parar ( e acreditem que não vai mesmo parar, também já o previ em 2004), dentro em breve estamos a falar de valores absurdos. É assim, o ouro está a tentar dizer-nos alguma coisa. Ninguém sabe bem o quê. Nós pelo menos temos uma teoria que vai funcionando. Outros limitam-se a ir onde os outros vão. Vamos assistir a uma volatilidade enorme no mercado. Subidas brutais, como a das ultimas semanas, e crashes enormes, de modo a assustar os menos confiantes. O ouro só vai levar com ele quem com ele estiver em sintonia. O ouro não é um mercado de lucro fácil, esses vão desistir na pior altura. O ouro não está a ser regido por nenhuma força conhecida de mercado. Lembrem-se apenas que o mundo mudou com o 11 de Setembro e as ferramentas de análise económica mudaram também. Não tentem investir com teorias obsoletas.
Vejam apenas estes dois exemplos: Há cerca de 2 semanas passou um programa na TSF sobre o que fazer ao nosso dinheiro onde se chegava à conclusão que o português gastava demais e pedia muitos créditos, enfim a treta do costume. O presidente da Associação Portuguesa de Bancos afirmou categoricamente que os consumidores deviam deixar nos bancos as decisões de investimento e citou como exemplo a espectacular subida do dólar em relação ao euro de há 6 meses atrás, tal como ele havia previsto. Eu tinha previsto exactamente o contrário. 6 meses depois, um teórico da conspiração teria ganho muito mais apostando contra o dólar do que a seu favor como queria o atrasado mental da associação dos bancos. Hoje o dólar já perdeu tudo o que tinha ganho e ainda desceu mais. Até fiquei parvo ao ouvir este energúmeno falar assim na rádio. E continuo a apostar no mesmo cavalo pois as razoes já foram mais que explicitadas neste blog. Num outro exemplo um senhor de um banco exclusivamente de investimento aconselhou-me a apostar em fundos ligados às acções americanas que estavam a ter um desempenho brutal. Isto foi no próprio dia dos atentados de Londres, em que decidi retirar o dinheiro de um fundo da UBS. Para mim, só um louco é que poderia propor uma coisa destas, apostar em acções americanas. Falei-lhe depois de investir em fundos ligados ao ouro e ao petróleo ao que me respondeu não terem qualquer futuro pois o petróleo já estava a estabilizar e o ouro nunca tinha grandes desempenhos. Desde o dia dos atentados de Londres até hoje, digam-me quem tinha razão. Embora muita gente nos ache catastrofistas, vemo-nos como aqueles que não embarcaram em euforias antes de 1929, que achavam que a prosperidade mundial tinha vindo para ficar em 1910, que não iam atrás de economistas malucos em 1989, que achavam que a subida do NASDAQ era completamente injustificada pois a Internet ainda não estava suficientemente desenvolvida antes do crash, ou como aqueles que ouviam o presidente Bush envidar todos os esforços diplomáticos para não atacar o Iraque e já afirmavam que o Iraque já estava derrubado. O grande consolo para mim é que todos os estudiosos deste grande logro em que vivemos e que tentam à sua custa avisar os outros da catástrofe que aí vem, ao menos encontram algum proveito nos investimentos que fazem. Como este texto já vai extremamente longo, falarei da prata noutra altura, embora possam ficar já com a ideia que o investimento em prata será ainda mais fabuloso do que em ouro.

Continuarei a fazer mais transcrições deste blog, devidamente autorizadas pelo autor.

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