quarta-feira, maio 27, 2009

O Monólogo do Banqueiro

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Nos “calabouços” da penitenciária, com direito a uma “suite” para executivos, o banqueiro Oliveira e Costa, antigo presidente da SLN/BPN, que também foi secretário de estado de um dos governos do Cavaco Silva, cogitou e concluiu o seguinte:
- Ora bem, isto não fica assim! Vou ter que meter a boca no trombone! Então “eles” também andaram a mamar na teta, passeiam-se alegremente lá por fora, a gozar os rendimentos, e eu agora é que vou carregar com todas as culpas? Era o que faltava andarem a fazer-se passar por amnésicos, meninos de coro e virgens enganadas. E não têm pejo em morderem a mão que lhes deu de comer! Era o que faltava! Porém, há que ser cauteloso. Não posso despejar o saco todo de uma vez. Tem que ser por fases, a conta – gotas, para eles perceberem que comigo, e com o que sei, ninguém fica de fora. E quando perceberem que posso ir tão longe quanto desejar, fazendo a vida negra aos “intocáveis”, vão-se encolher todos, e nem com retiros no templo de Shaolin se safam. Nesta primeira leva vou “despachar” o Cadilhe e o Dias Loureiro, e mais uns três ou quatro ingratos que me andaram a rasteirar. Consoante o resultado, depois se verá. Há sempre um dia seguinte e a “coisa” vai-se compor, porém, há que ter cuidado com os medicamentos que me dão, com a comida e com as agulhas infectadas. Com estes gajos, nunca se sabe!
Satisfeito com o seu monólogo, respirou fundo, arrumou os óculos, vestiu o pijama, lavou os dentes, e foi-se deitar a pensar no Anjo da Guarda.

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